Melhores Diálogos: entenda os 3 tipos de discursos

Via: Folhetim Online

Por mais que seja divertido brincar com os diálogos dos personagens, é de extrema importância que o escritor conheça os três tipos de discursos para conseguir elaborar bons diálogos.

Com tudo devidamente explicado, vamos seguir com as dicas do Folhetim.

Hoje, vou introduzir o conceito de discursos que, segundo o Dicionário Houaiss quer dizer: “enunciado oral ou escrito em que se supõe um locutor e um interlocutor“. Assim, temos, então, o Discurso Direto, Indireto e o Indireto Livre, técnicas narrativas extremamente utilizadas em textos literários.

Tenha em mente que o correto uso dos discursos pode influenciar na fluência da história e, consequentemente, no sucesso com os leitores. Portanto, não deixe de conferir como cada discurso é produzido e quais as melhores formas de utilizá-lo para ter um texto mais interessante.

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Discursos: o Direto; o Indireto e o Indireto Livre

 

1. Discurso Direto

O discurso direto é o mais conhecido. Com ele, o narrador interrompe a narrativa com as falas do personagem, permitindo que ele possa “conversar” diretamente com o leitor, isto é, o narrador entrega a palavra ao próprio personagem.

Sua estrutura é muito simples, as falas são introduzidas por um verbo declarativo, dois pontos e, na outra linha, travessão.

O interessante, neste discurso, é que o escritor permite que o personagem tome vida através de suas próprias palavras. Ou seja, através do discurso direto, podemos estabelecer um vínculo direto com o personagem de forma integral e literal.

Vamos a um exemplo de Discurso Direto:

Sentado à mesa do bar, Carlos levantou-se e foi até a mesa de Júlia, uma antiga colega de faculdade e, sem muita pretensão, perguntou:

- Júlia?! Não acredito que é você! Nossa, quanto tempo!

 

2. Discurso Indireto

Nesta forma de discurso, o narrador, ao invés de deixar o personagem expressar suas opiniões, toma a fala para si e a reproduz em suas próprias palavras, interferindo na ligação entre o personagem e o leitor.

Muitas vezes, o uso do discurso indireto pode ser utilizado para esconder a personalidade do personagem, pois, como é o narrador que expressa a fala do personagem, a integralidade e literalidade da fala se perde na “tradução” do narrador.

Vale lembrar que no Discurso Indireto, o tempo verbal será sempre no passado e na 3ª pessoa, diferente do discurso direto, onde a fala ocorre naquele exato momento.

Abaixo, deixo um exemplo de Discurso Indireto:

Sentado à mesa do bar, Carlos levantou-se e caminhou até a mesa de Júlia, uma antiga colega de faculdade. Chegando à mesa, como se não a conhecesse, perguntou se ela era a Júlia, aquela antiga amiga, e quando viu que estava certo, espantou-se, afirmando que há muito não se encontravam.

 

3. Discurso Indireto Livre

O Discurso Indireto Livre é o resultado de uma mistura dos dois discursos anteriores, ou seja, uma pitada de discurso direto e indireto para compor as falas dos personagens.

Essa técnica é uma excelente ferramenta para expressar o que os personagens estão imaginando. Quais são seus sonhos, desejos e ações que farão no decorrer da história, permitindo que o leitor entre, verdadeiramente, na cabeça do personagem, podendo se identificar com ele e, porque não, torcer para que ele se dê bem no final da história.

O uso do discurso indireto livre pode ser muito gratificante para a história. Pois, com ele, o personagem acaba recebendo um maior destaque – caso seja necessário. Porém, para que esse discurso seja utilizado, o narrador precisa ser onisciente, isto é, aquele sabe tudo sobre os personagens; seus medos, anseios e desejos. Portanto, vê que essa técnica é muito utilizada para o personagem principal, assim como para outros que necessitam de maior destaque, como, por exemplo, o vilão.

Vejamos um exemplo de Discurso Indireto Livre:

Carlos sempre imaginou que a faculdade havia sido a sua melhor fase, não só pelos amigos, mas pelas festas. Ah, as festas…

As noites em claro que passava conversando com uma, duas, três, ou até quatro calouras era o que mais sentia falta. De fato que muitas conversas eram superficiais; notas, aulas chatas, professores chatos e provas. Enfim, conversas descartáveis, mas que rendiam boas horas de diversão.

Porém, para Carlos, as melhores conversas eram aquelas que varriam a madrugada adentro, parando somente para o café da manhã. Conversas que ele só tinha com Júlia, uma aluna do 2º período, uma linda mulher: morena, alta, incrivelmente sensual e, a melhor parte, inteligente. Ah, que saudade tinha de Júlia e suas conversas. E, sentado, esperando João que havia saído para fumar, Carlos se lembrava dessas longas conversar, imaginando o que teria acontecido com Júlia desde o final da faculdade, e se arrependendo por não ter mantido contato com ela.

Com certa tristeza no olhar, Carlos chamou o garçom e pediu mais uma porção de batata frita, como João havia lhe pedido, antes de sair. Porém, ao virar-se para procurar João, que já estava fora há mais de 15 minutos, Carlos não pode acreditar no que via. Júlia, a aluna do 2º semestre, estava sentada a duas mesas de distância, sozinha e perfeitamente linda. Seus cabelos soltos seguiam o ritmo da brisa que soprava pela janela. E com os olhos fixados naquela visão, certificou-se que era a mesma Júlia e, sussurando, afirmou em voz baixa: É ela!

Como se algo o forçasse a levantar, criou coragem e sem pretensão alguma, dirigiu-se até sua mesa e perguntou:

- Júlia?! Não acredito que é você! Nossa, quanto tempo!

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Marina Avila

http://marina.fantasya.com.br

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